MEMORANDO – Caminhos para a igualdade

O que disse a turma 8B:

“Fizemos o jogo das cadeiras e depois alargámos este jogo de papéis, dividindo a turma ao meio: metade apresentava argumentos a favor da tese e a outra metade contra-argumentava.

                Não foi fácil começar, mas também foi difícil manter o papel pré-determinado, a nossa colega Maria, por exemplo, mudou de grupo para nos desafiar e estimular o debate. Apesar de algumas dificuldades e constrangimentos, conseguimos retirar as seguintes conclusões:

– muitas pessoas dizem “aqui” o que se quer ouvir, mas depois lá “fora” defendem ideias contrárias e atuam de modo preconceituoso. Quando se está em grupo, diz-se o que fica bem, o que é socialmente correto. Existe muita legislação na Europa que defende a igualdade de géneros, mas depois acontece a mesma coisa: diz-se uma coisa e faz-se outra, é como o ditado popular “Olha para aquilo que eu digo, não olhes para aquilo que faço”;

– o homem, ao longo dos tempo, e no tempo de agora, em algumas culturas, pode fazer tudo o que lhe apetece e não é discriminado. Na nossa sociedade, ainda há quem pense que um rapaz que faz ballet é “maricas” e se uma rapariga se interessas por motociclismo ou mecânica é “maria-rapaz”;

– a imagem pessoal é tão importante para a rapariga como para o rapaz, pelo que o espelho, a moda e os cuidados com o corpo interessam a ambos;

– na escola, as raparigas vítimas de bullying são as que cuidam menos da sua aparência ou que têm um aspeto mais arrapazado e os rapazes são os mais fracos e pequenos;

– a sociedade também discrimina os homens vítimas de violência doméstica. Parece que ninguém está à espera que uma mulher agrida verbal ou fisicamente um homem, porque, tradicionalmente, ele é considerado mais forte, e por isso há homens que são vítimas de violência por parte das namoradas e das companheiras que se calam e não denunciam com medo do julgamento dos outros, de serem considerados “fracos”;

– a pressão social, a educação, o medo da rejeição, o receio de perder os amigos e familiares são muitas vezes obstáculos para se conseguir maior igualdade de géneros;

– é preciso destruir as barreiras socais e culturais;

– a mudança de mentalidades é sempre um processo lento;

– há raparigas que se destacam em profissões e desportos que dantes eram só para rapazes. Até nas profissões houve algumas mudanças, porque dantes (antes da revolução dos 25 de abril em Portugal), algumas profissões só eram desempenhadas por mulheres e havia outras que só podiam ser desempenhadas por homens. Hoje, já há mulheres a conduzir autocarros e camiões TIR e homens a desempenhar tarefas como empregados domésticos ou assistentes de bordo;

– em Portugal, o campeão juvenil de karting de 2015 é uma rapariga de 10 anos, a Mariana Machado; na Alemanha, o chefe de governo e a segunda pessoa mais poderosa do mundo  é uma mulher, Angela Merkel, algo impensável no início do século passado.

  O que importa é que os homens e mulheres tenham os mesmos direitos e deveres, consigam alcançar os seus sonhos e, para isso, é preciso também que ambos tenham as mesmas oportunidades de participação, reconhecimento e valorização nas diferentes áreas e setores da sociedade, apesar das diferenças que existem entre os dois sexos.”

   Partilhamos ainda uma notícia sobre a problemática em debate (o caso da Suécia) e um vídeo da Euronews sobre o papel da mulher na ciência: 

https://www.publico.pt/mundo/noticia/os-campeoes-da-igualdade-continuam-a-lutar-1695342

https://www.youtube.com/watch?v=4TYSuSCx8Og

   Neste momento, um grupo de alunos está a realizar um trabalho de pesquisa sobre a intervenção  da mulher nos órgãos políticos locais e outros dedicam-se a dimensionar e a preparar os eventos para o Dia Internacional da Mulher a par das atividades que são solicitadas pelo programa e do visionamento dos vídeos que as escolas parceiras têm partilhado connosco e que têm fomentado inequivocamente o debate e a reflexão. 

    Até breve.